Aqui fica um bike test realizado pelo David Rosa à Scott Scale 920, uma bicicleta com uma geometria similar à com que irá competir este ano - a Scott Scale 900 RC - mas com uma escolha de componentes e rodas que lhe dão uma relação custo benefício mais interessante. Vejam lá o que o David tem a dizer acerca desta bicicleta:
A Scott Scale 920 é um modelo que apesar de não ser um topo de gama parece-me procurar um compromisso entre o peso, preço e funcionalidade das suas irmãs mais avançadas, e com sucesso. O peso e conforto do quadro não é o mesmo que o da Scale 900 RC - estamos a falar dum quadro que, em tamanho 29 pesa apenas 950gr e em termos de conforto em secções mais rochosas (por exemplo), se nota uma suavidade superior. Este é um modelo a ter em conta para quem procura uma roda 29 já com grandes prestações sem investir numa topo de gama.
A bike vem equipada com periféricos (espigão de selim, avanço e guiador) da Syncros, marca da Scott. Notei que aqui não haviam falhas em termos de rigidez, cumprem a sua função sem problema. No entanto, quando à posição de condução, eu prefiro um avanço mais longo e negativo, e o guiador com menos elevação. Mas isto é algo que vem das minhas preferências de condução, bastante mais agressivas e que não são muito habituais… até pela minha altura.
Quanto à transmissão, é feito um misto XT/SLX que funciona impecavelmente. O desviador XT já conta com a “patilha” de incremento de tensão de corrente, que quando accionada faz com que a corrente não bata na escora e assim temos uma bike super silenciosa nos trilhos. Foi a primeira vez que usei um desviador assim e gostei bastante. A pedaleira XT com 3 pratos, 22/32/42, dá um rácio de mudanças que numa 29 nos dá andamentos muito diversificados (numa 29, a desmultiplicação torna-se bem superior do que numa 26, tendo um 42 o andamento “real” mais próximo de um 46). No meu caso, no entanto, não usaria 3 pratos, mas sim 2 um pouco mais “juntos”, como um 26/38, isto porque pelo menos em XCO não se chega a esgotar um prato 38 e o 26 é o suficiente para passar as subidas mais duras (com uma cassete 11/36). Outra vantagem para mim com uma pedaleira dupla é a diminuição do Q-factor (distância de um crank ao outro), pois torna a pedalada mais eficiente e para alguém com as ancas estreitas como as minhas é algo recomendado. Os restantes componentes (manípulos, cassete e desviador da frente) também são SLX e daqui resulta uma transmissão que a nível de fiabilidade não deve nada às de mais alta gama.
No capítulo da travagem tive uma agradável surpresa, os SLX são realmente um travão excelente. Já conhecia a potência dos XTR e XT, os SLX não ficam muito atrás, e têm uma fiabilidade difícil de encontrar noutras marcas. Tenho sérios problemas quando ouço um travão a roçar no disco, pois é sinónimo de que estou a produzir potência que não está a ser aproveitada, não aconteceu uma única vez com estes travões. A 920 veio equipada com discos 180/160, pelo que se quiserem tirar algum peso é só por um disco de 160mm na frente e tirar o adaptador de 180, não se perde muita potência e poupa-se algum peso.
A rodas Syncros com os cubos XR 2.5 são fiáveis e não apresentaram qualquer problema. Claro que não são hiper-leves, mas neste segmento de preço e com este quadro e restante material já apresentado nem podiam ser, mas têm um rolar simplesmente fantástico que não impedem qualquer andamento em trilho mais agressivos, que julgo ser um dos pontos fortes desta bike. Os pneus Rocket Ron Evo 2.1 têm uma aderência lateral muito boa (das melhores até) e baixo peso (usei este pneu exaustivamente na versão 2.25 em 2009 à frente), mas sua resistência ao furo é algo limitada. Também expûs os pneus a um tratamento de alto calibre nos trilhos rochosos de pia de urso mas, ainda assim, numa bike tão fiável, acho que é um melhoramento a fazer.
Por último, a suspensão Fox Float 32 com bloqueio em 3 posições e eixo de 15mm revelou-se à altura. Em termos de rigidez e suavidade de funcionamento esteve impecável. Quanto às afinações (rebound e ar positivo) são fáceis de fazer e nítidas no caso do rebound. Esta suspensão tem 3 modos de bloqueio: todo fechado (completamente bloqueada), trail (funciona de forma mais lenta e menos sensível) e aberto (curso normal). A diferença entre o trail e aberto, pelo menos com a pressão que uso, não é da noite para o dia. Embora se note alguma diferença na velocidade de funcionamento (incluindo recuperação) e bombear. Na prática usei este modo em subidas mais acidentadas, em que queria que a frente da bicicleta fosse a “ler” o terreno e em zonas mais rápidas (estradões planos por exemplo) onde queria ter algum conforto mas que não perdesse rendimento.
Em suma, uma bicicleta construída por um quadro em carbono HMF desenhado perfeitamente para uma geometria 29" com um mix entre compontentes fiáveis e de excelência no grupo shimano e suspensão FOX que oferecem grande valor ao adepto de XC ou BTT com um budget pré-definido."