IV Duatlo de Torres Vedras – 14 Abril 2013
Com uma organização partilhada pela AMCR Fonte Grada, Câmara Municipal, Federação de Triatlo de Portugal e com o apoio da MoveFree, realizaram-se no passado domingo em Torres Vedras os Campeonatos Nacionais de Duatlo.
O programa iniciou-se pelas 09:30 com a disputa de uma Prova Aberta, na distância Super-Sprint, destinada essencialmente a todos os que pretendessem ter um primeiro contato com a modalidade. Aqui o vencedor foi o atleta do TRI CAP-Penafirme, Rodrigo Inglês, seguido de Orlando Silva e de Guilherme Pires (CT Fundão).
Pelas 11:15 foi dada a partida para a prova principal do programa e que iria decidir os Campeões Nacionais 2013. No lado masculino, e depois de um começo mais calmo, Sérgio Silva cumpriu os 10Km de corrida iniciais em 33'22'', entrando na transição com 52 segundos de vantagem sobre um grupo liderado pelo atleta da casa, Daniel Martins e onde se incluíam João Ferreira, Luís Almeida (Garmin Olímpico de Oeiras), Hugo Alves (CT Fundão), Ricardo Gomes (DAR - FERMAQ), André Guimarães (Lince Triathlon) e Jorge Duarte (Garmin Olímpico de Oeiras).
Já três minutos depois do líder, entrava no parque de transição um dos melhores ciclistas do pelotão, Ricardo Gouveia (Ludens de Machico/Ourinvest Talento Gótico), que realizou uma recuperação que impressionou todos os presentes, cavalgando cerca de 30 posições, alcançando a liderança da prova até nova transição para corrida.
Com todos os favoritos na frente, a decisão da prova ficava adiada para o segmento de corrida final. Nos 5km de corrida finais, Hugo Alves e João Ferreira foram os primeiros a atacar as posições cimeiras. No entanto, pouco depois, Sérgio Silva acelerou e mostrou porque é considerado um dos melhores Duatletas Mundias, vencendo a prova com distinção.
Também Daniel Martins fez um bom segmento e confirmou a sua grande evolução, averbando a primeira medalha num Campeonato Nacional de Duatlo. A 3ª posição foi ocupada pelo Atleta sub-23 do Sporting CP, João Ferreira.
Quanto às Senhoras, Cristiana Valente gastou 2:05.02 horas, batendo Ana Filipa Santos (Águias Alpiarça) e a sub-23 Liliana Alexandre (Sporting), segunda e terceiras classificas, a 3.33 e 10.13 minutos, respetivamente.
ENTREVISTA COM RICARDO GOUVEIA
Eu pedalo esteve à conversa com Ricardo Gouveia. O Atleta Madeirense do Ludens Clube de Machico tem 29 anos e iniciou a pratica do Duatlo apenas com 25. Nada que o impeça de ser o actual Nº1 do Ranking Nacional da modalidade.
No Duatlo das Lezírias viveu a sua primeira experiência com uma roda 29, ao utilizar uma Scott Scale que quase o levou à vitória.
Olá Ricardo, conta-nos como é que nasceu esta paixão pelo Duatlo?
No final da década de 90 era praticante de ciclismo, mas depois fiquei 8 anos sem fazer desporto. À 5 anos atrás, o Duarte Mendonça do Ludens Clube de Machico lançou-me o desafio para começar praticar Triatlo, respondi positivamente mas como não sou suficientemente forte na natação, decidi seguir a variante do Duatlo para poder ser mais competitivo a nível Nacional.
Que títulos já conquistaste, quais os teus melhores resultados?
Em 2012 fui 3º classificado no Campeonato Nacional aqui em Torres Vedras, melhorando o resultado alcançado em 2009, onde tinha sido 10º.
O meu grande objectivo para esta época era a chamada à selecção Nacional para disputar o campeonato da Europa, mas a convocatória já saiu e parece que vou ter de esperar por outra oportunidade.
O Clube fez uma grande aposta em mim e tenho vindo a participar em quase todas as provas, tendo apenas falhado a de Arronches. Os resultados têm sido bastante positivos e actualmente estou em primeiro lugar do ranking Nacional 2013.
A nível Regional tenho 3 títulos conquistados.
Estas disciplinas mistas têm tido uma boa evolução na Madeira e em 2012 houve até um Campeão Nacional. É uma aposta apenas do Ludens ou existem outros clubes a desenvolver o mesmo trabalho?
Sim, em 2012 o Tiago Silva foi Campeão Nacional e isso é fruto da aposta e do excelente trabalho desenvolvido pelo Ludens Clube de Machico. Mas existem mais clubes a apostarem nestas disciplinas mistas, não só no Duatlo, mas também no Triatlo.
O Duatlo é um desporto individual ou é muito importante o apoio dos vários Elementos de uma equipa?
No meu caso é praticamente individual, pois devido aos custos acrescidos da insularidade, não existem grandes condições para podermos trazer vários Atletas a participar nas provas aqui no continente.
Mas acaba por ser sempre importante o apoio duma equipa, pois consegue-se definir estratégias colectivas para desgastar os adversários e assim facilitar o desempenho dos seus Atletas mais dotados.
Na prova de Rio Maior vivi essa experiencia bem de perto, protagonizada pela equipa do Águias de Alpiarça.
É a tua segunda vez aqui em Torres Vedras, qual é a tua opinião sobre o percurso e a organização?
Aqui as condições são espectaculares, posso afirmar que até à data foram as melhores que encontrei de todas as provas que já disputei em 2013. A zona do Jardim da Várzea tem as condições ideais para o Atletismo e um ambiente muito agradável.
O circuito de ciclismo também é excelente, o piso é óptimo e tem apenas 2 subidas e rola-se bastante, o que o torna bastante rápido.
Recentemente usás-te uma Scott Scale roda 29 no Duatlo das Lezirias, conta-nos como foi essa experiência? e que tamanho de roda mais se adequa a provas de Duatlo com BTT?
A bicicleta é espectacular! É super confortável e ajudou-me muito a pedalar sempre na frente. Como o percurso era composto essencialmente por estradão e as curvas eram bastante abertas, a roda 29 foi sem dúvida uma enorme mais valia.
Foi uma experiência fantástica em que só faltou mesmo a vitória final. Ia na frente da corrida mas acabei por ser surpreendido mesmo em cima da linha de meta pelo Miguel Arraiolos, que é reconhecido como um Atleta de nível Mundial.
Foi a minha primeira e única vez com a roda 29, por isso não posso ter uma opinião muito elaborada, mas acredito que em certos percursos a roda 26 se torne um pouco mais versátil. Vejamos o caso das provas disputadas em locais de relevo mais acentuado, como o caso da Madeira, por exemplo.
- Texto escrito por Alexandre Elias