"Nós movemo-nos como este vento, que corre livremente por este país gelado. O vento do 1º dia, que nos fez cair várias vezes, levou-nos de volta aos ventos patagónicos. Nenhum deixa saudades, mas ficam marcas e recordacoes indeléveis. Por todo o lado nota-se a natureza intocada, tons cinza de solos vulcânicos e rochas de lava cobertas de verde. Nada daquilo a que estamos acostumados existe aqui: nao se vê um papel, um saco de plastico, uma garrafa ou um outdoor a violar esta natureza quase virgem.
A Blue Lagoon surgiu como uma miragem numa paisagem cinzenta e nua. Banharmo-nos nela também foi uma miragem que nos custaria cerca de 35eur - alimentamo-nos da visão gratis e das fotos que imortalizamos, apesar das mãos tremerem do frio que se sentia no local.
Ainda a sul, outras visães se nos apresentavam: o Geysir, um conjunto de fumarolas em que a maior expele água a 100ºC a cada 8min e que, apesar de impressionar uma enorme massa turística, ficou aquém das nossas expectativas. Expectativas essas que foram largamente ultrapassadas assim que chegamos a Gulfoss: uma catarata incrível, de uma beleza e dimensões dignas de um postal ilustrado.
Ao 4o dia, as previsões meteorológicas (confirmadas pela manhã) aconselhavam prudência. Foram duras as condicoes climatéricas que enfrentamos nos dias anteriores, com pouco ou nenhum repouso. Sabemos que os proximos 400kms numa estrada de montanha que atravessa 2 glaciares, serão em total isolamento. Por isso, hoje é dia de descanso e de esperar que a chuva pare. As highlands aguardam-nos..."
- Texto e fotografias de Ricardo Mendes e Filomena Gomes, da Iceland Luso Expedition, cuja viagem de bicicleta à Islândia poderão acompanhar em https://www.facebook.com/IcelandLusoExpedition