Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012

THIS IS THE ABSA CAPE EPIC - por Nuno Machado e Diogo Vieira

2011 chegado ao fim, aqui fica um texto escrito pelo nosso "epic rider" Nuno Machado, sobre o que foi pedalar pelos trilhos do Cape Epic:

 

 

"Oito dias; mil e duzentos atletas; setecentos e sete quilómetros. Mágico; Indomável; Africano. Isto é o "ABSA CAPE EPIC"!

 

É assim que anualmente, o Absa Cape Epic é apresentado ao mundo nos últimos 8 anos. E esta é de facto a verdade e a forma mais simples de descrever a mais mítica prova de BTT por etapas que existe no planeta. E foi com estas palavras na cabeça que os 1.200 atletas, entre os quais 9 portugueses, presentes à 8ª Edição do ABSA CAPE EPIC arrancaram para o prólogo de 27 quilómetros na Floresta de Tokay, junto à Cidade do Cabo. Confesso que não é fácil escrever sobre um evento que já foi tão falado e explorado em termos de comunicação social, podia descrever cada uma das etapas e tentar deixar patente por palavras o quanto custa completar os quilómetros que diariamente nos eram colocados como desafio, mas isso seria mais do mesmo e podem ver essa descrição no site da Bike Magazine nas notícias de competição.

 

 

Era muito fácil dizer que os primeiros dias foram duríssimos, e que as temperaturas eram elevadas, a temperatura média ultrapassava os 32ºCº e a máxima chegava facilmente aos 39º ou 40º. Podia falar das intermináveis subidas em singletrack, onde não era possível pedalar e tínhamos de caminhar durante cerca de 6 a 7 quilómetros. Em seguida dizia-vos que é possível fazer mais de 50 quilómetros entre areia e pedra e onde pedalar se
torna penoso e andar a pé é inevitável. Podia escrever sobre o facto de o Cristoph Sauser (vencedor desta edição) ter dito em público que este ano tinha realizado a etapa mais dura de sempre do ABSA CAPE EPIC, e que o Karl Platt (4 vezes vencedor do Cape Epic) considerou que esta mesma etapa não foi BTT e que ficou impressionado com o facto de os amadores conseguirem concluir este dia.

 

 

Era fácil escrever sobre o facto de termos de nos levantar todos os dias, antes das 5 da manhã (ainda de noite) para irmos tomar o pequeno-almoço, levantar a bicicleta e depois virmos à pressa vestir o equipamento e preparar tudo para a partida que é dada às 7 horas da manhã, ainda com o sol por nascer. Depois podia dizer que no arranque as pernas estão pesadas e o frio não motiva nada a pedalar e que depois de o sol nascer, rapidamente estamos a pedalar com temperaturas na ordem dos 30ºCº. Era bem simples dizer que nos dias calmos o vento sopra de todo o lado menos pelas costas, e que quanto mais plano é o terreno mais forte sopra o vento de frente. E depois seguia a contar-vos que quando os singletracks chegam, já pedalámos mais de 90 kms e os quilómetros desingletracks são, técnicos, a subir, a descer, entre árvores, raízes, pedras, com rampas, curvas em releve. Podia falar das mais de 7 horas diárias que passávamos a pedalar ou perto da bicicleta, para depois cortarmos a linha de chegada e seguirmos para o banho, para podermos seguir para “Media Center”. Contava também que o “Media Center” estava sempre cheio com mais de meia centena de profissionais da comunicação e era preciso arranjar lugar para sentar e ficha para ligar o computador. Depois escrever as crónicas diárias, escolher as fotos para ilustrar as mal escritas linhas e aproveitar para comer alguma coisa.

 

 

 

Seguidamente dizia-vos que o tempo voa e que rapidamente era hora da massagem, 30 minutos de merecido descanso, e de seguida correr para tratar dos bidões, sistema de hidratação. E que o jantar começa às 18 horas e se estende por cerca de 2 horas, entre jantar, entrega de prémios, pódios e briefing do dia seguinte. Dir-vos-ia também que no final do jantar já é de noite e andamos todos de lanterna no acampamento para preparar os equipamentos do dia seguinte e deixar o saco quase fechado para no dia seguinte ser transportado para o próximo acampamento.Após cada dia a pedalar no meio do pó, o equipamento chega mais sujo do que quando andamos na lama, e é preciso lavá-lo para que este fique o melhor possível para o que ainda vem de pó. E toca a todos. Até mesmo ao campeão do Mundo de Cross Country. Sim! O Hermida também lava a roupa no Cape Epic.

E depois seguia a contar que sempre que completamos uma das subidas intermináveis e duras, pensamos que vamos descansar na descida, mas somos logo presenteados com um sinal de perigo o que obriga a atenção redobrada e claro que não permite descansar. Dizia-vos que as etapas curtas, são em contra relógio, e embora não ultrapassem os 30 kms de distância, têm mais de 800mts de ascensão. E o prólogo era técnico, mas técnico.

 

Mas prefiro contar-vos outras coisas. Conto-vos que é espectacular viver 8 dias de prova, e só respirar BTT. Que é um privilégio poder pedalar por trilhos tão espectaculares, e duros, e técnicos que o ABSA CAPE EPIC nos apresenta diariamente. Digo-vos que é impressionante ver a logística envolvida neste evento que contempla mais de 160 viaturas registadas, e soma cerca de 280 toneladas de material, que inclui tendas que montadas ocupam 23.500 m2 (mais de dois campos de futebol), mais os 50 chuveiros individuais com água quente. Ainda vos conto que em Saronsberg não existem tantos campos de futebol juntos e como tal em Julho de 2010 foi escolhido um terreno onde não existia nada, para ser transformado num prado para acolher o acampamento, e do nada surgiu em menos de 6 meses um prado com mais de 30.000 m2 relvado para acolher a comitiva.

 

 

Ainda vos digo que em cada ponto de água (3 por dia) existem 4.000 litros de água purificada, 1.000 litros de bebidas isotónicas e colas. Por falar em pontos de água, aproveito e falo-vos dos abastecimentos e da comida. Nunca faltaram, gomas, fruta, queques, empadas em nenhum abastecimento. No total foram quase 47.000 peças de fruta. E nas refeições falamos em toneladas. Tipo, 1,2 toneladas de massa; 2 toneladas de frango; 1 tonelada de carne de vaca, 8 toneladas de salada. E os ovos? Quase 21.000 tal como o número de salsichas para o pequeno-almoço. E posso também falar-vos do pequeno saco que diariamente nos era oferecido no final do etapa, com fruta, carne, sandes e um sumo e com o qual nos deliciava-mos. Conto-vos de mais um recorde que foi batido este ano. Existe uma equipa formada por 12 elementos. São os “Baggies” (carregadores). Esta equipa é responsável por colocar e tirar todos os sacos do camião. A média de peso dos sacos ronda os 28 kg. E estes doze senhores conseguiram tirar os cerca de 1.200 sacos do camião, e deixa-los arrumados por número, em menos de 14 minutos. O tempo recorde é agora de 13 minutos e 42 segundos (incluindo paragem para descansar). O lema dos “Baggies” é: “O Chuck Norris ainda tenta ser um baggie, mas nós já somos.”

 

Também tenho de vos contar sobre a equipa que tratava das nossas bicicletas. No mínimo espectacular. Cortava-mos a meta, agarravam na bicicleta e levavam para lavar e colocar no parque fechado. E depois nos fazerem este mimo ainda nos enviavam um SMS a dizer “A sua bicicleta está lavada e arrumada. Votos de boa etapa para amanhã.” – Apenas mais um pormenor desta grande máquina. Não é possível ficar indiferente ao facto de as crianças, sorrirem à nossa passagem, e de esticarem a mão para um valente “Hi’ Five” e nos passarem energia positiva. Tenho de vos falar também de dois portugueses espectaculares, o Luca e o Filipe Gomes, que fizeram o Cape Epic versão passeio (Epic Trippers), e que diariamente nos deram força em cada arranque, no meio das etapas e nas chegadas. Não posso deixar passar em claro o facto de diariamente existirem milhares de pessoas a assistirem nos trilhos à passagem de todos os atletas incentivando-os. E claro que tenho de vos contar como é impressionante cortar a ultima meta, depois de fazer os últimos 5 kms avoar e ser aplaudido por mais de 30.000 pessoas. E tenho obrigação de vos dizer, que não há palavras que descrevam o facto de vermos o nosso parceiro a tirar a bandeira de Portugal do bolso para fazermos os últimos metros no relvado quenos leva até ao último arco de meta.E digo-vos também que cortar estameta tem um sabor especial. É sinal que deixámos para trás 707 km, muita subida, muita caminhada, algumas quedas, e vencemos cada um dos metros e desafios que nos colocaram pela frente.

 

 

Conto-vos ainda que com as outras duas equipas portuguesas, (Barcelos Team Portugal e Aventura/Gislotica/Rocky Mountain) que já tinham concluído, subimos ao pódio e recebemos a merecida medalha. Tínhamos concluído o ABSA CAPE EPIC. É verdade que nos custou. Mas naquele momento, cinco minutos depois de cortar a meta, já não dói nada.

 

A verdade é que tinha mesmo de vos contar isto tudo, porque: “THIS IS THE ABSA CAPE EPIC”

 

Um abraço e pedalem muito…

 

 

AGRADECIMENTOS

 

Todas estas histórias só são possíveis porque existe um enorme numero de marcas, entidades e pessoas que não podem vir pedalar para o ABSA CAPE EPIC, mas sem as quais esta aventura seria uito mais difícil. E tenho de lhes agradecer:

- A Isabel, que me apoia a 100%, me partilha há 8 anos com um quadro com rodas, e nunca me disse para não vir.

- A minha família, que sem nunca poder ver de perto, me apoia incondicionalmente.

- A Isabel Carvalho da “4x4 viagens”, por escolher sempre o melhor modo de me colocar na linha de partida.

- A simpática e única, família “Casado Vieira” por me emprestarem o Diogo por 8 dias.

- A BIKE MAGAZINE – que sempre tem espaço para contar as minhas histórias

- A MOVEFREE – ter equipas a superarem-se faz parte do ADN da marca, obrigado a todos os elementos desta grande Loja.

- A CARBBOOM! Europe – Nutrição e Suplementação que nos fazem muita falta no meio do nada.

- A COFIDES – Equipamentos de grande qualidade MADE IN PORTUGAL, que só nos custa a lavar à mão. Obrigado a esta grande empresa e à sua equipa de profissionais.

- A SNV – componentes light em CNC – pratos que deram milhares de voltas sem nunca se queixarem. Obrigado Cajó. Viva o MADE IN PORTUGAL.

- A SHIMANO – Travões e transmissões sem palavras, porque funcionam e bem.

- Ao PEDRO MAIA – Grandes treinos, esquemas que funcionam se saírem do papel.

- A SPECIALIZED – Por ter desenvolvido a minha Epic S-Works.

- TEAM MOVEFREE - A minha equipa, com quem trabalho em parceria, para sermos melhores pessoas todos os dias.

- A todos os portugueses presentes nos trilhos do cabo, foi um espectáculo ter a vossa companhia

- A todos os que diariamente nos encheram o mail, o facebook, e a caixa de mensagens, com apoios e palavras de incentivo. Para todos a minha vénia e o meu“MUITO OBRIGADO”. Se o podia fazer sem vocês? Podia. Mas não era a mesma coisa."

 

 


Publicado por Eupedalo às 10:33
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