Terça-feira, 5 de Abril de 2011

ABSA CAPE EPIC - 7ª ETAPA - A Ultima

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Foto: Greg Beadle/Cape Epic/Sportzpics

Estimados

Antes de vos contar como foi a ultíma etapa do ABSA CAPE EPIC 2011, conto-vos aquele que para mim vale como o momento mais marcante de toda a prova de 2011.

Como já vos tinha contado o português Mário Roma decidiu este ano realizar a prova em dupla num tandem (bicicleta para duas pessoas) com o brasileiro Adauto Belli, que é uma pessoa normal, com espírito único e que junta a isto o facto de ser invisual. É verdade o Adauto é cego!

A etapa 6 de 2011 tinha como prato final uns módicos 20 a 25 kms de singletracks (trilhos estreitos, entre árvores, onde mal cabe uma bicicleta normal) que não são nada favoráveis a uma bike de cerca de 3 metros de comprimento.

Todas as etapas têm um tempo máximo para serem feitas e nesse dia o “Speaker” anunciava que faltavam 40 segundos para o fecho desta etapa, ao longe entra uma equipa feminina na zona que antecede a meta, e atrás delas surgia um tandem. 

O grito geral foi “There’s a Tandem coming”! O acampamento simplesmente parou. Vinha lá a dupla que falava português com sotaque.

O relógio não parava e o speaker anunciava os últimos 30 segundos. O Mário e Adauto entravam no espaço relvado 25 segundos pareciam poucos e começava a contagem decrescente. O Mário e o Adauto “sprintaram” como puderam para o final. E quando o tiro da pistola ecoou no ar marcando que ultimo segundo tinha caído, o Mário e Adauto também caíram os dois, redondos bem em cima em relva, mas para lá da linha chegada. Tinham cortado a meta.

O acampamento quase veio ao chão. Eu nunca tinha assistido a nada assim.

No meio dos festejos, chegou o “Comissário da UCI” com o seu poderoso alicate e retirou as placas frontais do Tandem. A dupla era dada como não tendo entrado dentro do tempo.
No entanto existia um aspecto muito importante, e que levou esta dupla a perder cerca de 1 hora nos trilhos antes da chegada. A Raquel (Brasileira) que fazia dupla com o português Hélder Carvalho, teve um acidente e ficou bastante mal tratada da queda. E o Mário e o Adauto, mesmo hipotecando as hipóteses de terminar a etapa, preferiram dar assistência a uma companheira de trilho e perder esse tempo.

No final e após a situação de retirar de frontais, o “Comissário UCI” comentou que sabia da situação mas que era obrigatório seguir o protocolo. Assim o protocolo foi seguido.
O Mário apresentou recurso da decisão e no dia de partida da última etapa, o frontal 102 estava de novo no tandem da dupla Luso-Brasileira, e eles puderam arrancar para a ultima etapa do ABSA CAPE EPIC 2011.

De facto até pode não parecer nada de especial, mas para mim vale como mais uma vitória do querer sobre o poder. 

Voltando aos trilhos e à última etapa, ela é simples e é de facto um dia para consagração.
A etapa é curta tem 65 kms e 1.700 metros de acumulado de subida, começa a subir até aos 20 kms e depois desce rápido num estradão de pedra muito solta que nos deixa num vale para descansarmos um pouco as pernas. Nova subida e momento em que é obrigatório desmontar, zona protegida onde só se pode andar a pé. Também não me parece que fosse possível fazer aquela descida em cima da bike. Entrada num novo singletrack e para o final muito estradão e rápido. Zona de trilho onde não são permitidas ultrapassagens, e durante cerca de 5 kms seguimos em fila atrás de outra dupla. E no final foi acelerar pelo estradão largo em direcção à última meta do ABSA CAPE EPIC 2011. 
Tiramos a bandeira de Portugal do bolso e cortamos a linha de chegada com a sensação de “prova superada”.

Já está somos finishers! Nós e todos os portugueses que este ano embarcamos nesta aventura.

Parabéns e o obrigado ao Pedro, ao André, ao Miguel, ao Alexandre, ao Mário, ao grande Adauto. Obrigado aos incansáveis “Day Trippers” Luca e Filipe.

Um obrigado especial ao Diogo , o meu asa de 2011, gerimos bem a equipa e chegamos ao fim com melhor entendimento sobre o tema “ter” um parceiro ou “ser” um parceiro.

Para mim esta meta tem um sabor muito especial, doce e amargo. Doce porque conclui mais uma aventura, amargo porque muito dificilmente volto a cruzar a meta numa aventura épica. 
É tempo de outras aventuras.

Nos últimos 8 anos consegui estar presente em 7 aventuras deste nível, apenas falhando 2010 por lesão. Entre treinos, preparativos e provas são muitas horas privado de fazer outras coisas.

Chegou o momento de fazer algumas delas.

Tenho claro de agradecer a todos os que nestes 8 anos me apoiaram e não posso esquecer:

O STAND JASMA e a SCOTT

O Vítor Gamito (meu primeiro treinador) e a Gold Nutrition.

Ao Pedro e ao Luís da COFIDES, e a toda a equipa maravilhosa que me atura cada vez que passo por lá. E pelos fantásticos equipamentos “MADE IN PORTUGAL”

Ao Pedro, ao Nuno, à Maria e ao Marcos da CARBBOOM! A paciência para me aturarem e pelos excelentes almoços no complexo industrial.

Ao Cajó da SNV pela fiabilidade do material, e por ter a coragem de fazer este projecto em Portugal.

A toda a equipa da Shimano pelos travões que não falharam e pela transmissão que durante 700 kms nunca se queixou e só precisou de óleo.

À Specialized por ter desenvolvido uma bicicleta como a Epic S-Works, e pelos capacetes que me protegem a cabeça.

Ao Alexandre, ao Carlos e ao Nuno da Bike Magazine por serem um “media partner” credível e com quem trabalho em parceria.

Ao Pedro Maia pelas sessões de treino que saem do papel para o terreno e resultam.

Ao Luís e Ricardo Reis, por terem acreditado no projecto, e por trabalharem por ele.

A todo o pessoal da “Motovedras” MOVEFREE pela atenção e cuidado.

Ao Carlos Carvalhinho pelos anos a afinar as minhas bicicletas.

Aos atletas da “minha” equipa TEAM MOVEFREE, Bruno Espinha, Bruno Anjos, Pedro Maia e Diogo Veira é um prazer “trabalhar” com e para vocês.

Ao André Malha… “No words, M&M Forever”

A todos os amigos que tinha e aos que conquistei nos trilhos e que sempre tiveram palavras de incentivo.

À minha família:
Pai, Mãe, Irmão, Cunhada e Sobrinho, que nunca assistiram mas sempre me apoiaram incondicionalmente.

À Isabel, que me partilhou durante anos com um quadro com rodas, e nunca me disse para não vir.

A todos, mesmo os que não figurama na lista, o meu muito obrigado

Agora volto para casa

Um abraço e pedalem muito

Nuno Filipe Machado

Sou apenas um Homem comum…tenho é objectivos!

TEAM MOVEFREE

Publicado por Eupedalo às 10:12
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