"A minha bike de estrada para este ano é a Scott Foil 40, equipada com Shimano Dura-Ace mecânico de 11 velocidades.
O quadro da Scott Foil 40 difere das Foil de gama mais alta (10, Team Issue e Premium) pelo carbono utilizado, que na Foil 40 é o HMF e nas topo de gama é o HMX. Isto acontece também na gama de BTT, por exemplo da 910 para a 900 RC. Uma vez que já abordei as diferenças num teste à 900 RC convido-vos a ler esse artigo onde me foco nas diferenças entre o carbono utilizado.
Os modelos Foil, sejam HMF ou HMX, não diferem no que toca à sua forma. A Foil é a resposta da Scott à tendência actual, no ciclismo de estrada, em que se utilizam quadros em que a importância na aerodinâmica é tão importante como a rigidez. Assim, é utilizada a tecnologia F01 Aero Technology, em que se adaptam os estudos da aerodinâmica utilizados nos aviões às bicicletas. Nos aviões os dados de coeficiente de penetração no ar acabam por ser diferentes pois as diferenças de velocidade são muito grandes, por isso, de acordo com a Scott, os ganhos aerodinâmicos de fazer uma “asa” (ou lâmina se traduzirmos “Foil” à letra) continuada ou parcial são iguais. Criou-se assim um quadro com estudos de aerodinâmica específicos para as bicicletas. Não consigo dar-vos dados concretos de ganhos de Watts à velocidade X ou Y, mas a sensação que dá é que uma vez atingida uma certa velocidade é de mais fácil manutenção.
Em termos de rigidez, são notórias as diferentes formas dos tubos consoante a sua posição. As escoras inferiores são triangulares e as superiores são quadradas. A zona do eixo pedaleiro é também notoriamente bem reforçada. Daqui surgiu-me a maior surpresa ao andar nesta bike: a sua rigidez. Pensava que o quadro seria algo “mole”, mas é exactamente o contrário. Nota-se principalmente ao fazer pequenos sprints e em subidas ao pedalar de pé. Não é, de longe, a bike mais confortável em que andei, mas também não é nenhum “pau”. No entanto, a minha preferência, ao escolher entre um lado do prisma ou outro, recairá na rigidez.
Quanto à geometria, usando eu um quadro XS, noto que a bike é muito compacta (com um XS, pudera!). Mas o que é facto é que sempre usei o XS, mas sinto que nesta bike “encaixo” bem melhor, sem necessidade de recorrer a um guiador “compact”. Isto é mais um factor que, juntando à elevada rigidez do conjunto, ajuda à rapidez da bike em acelerações. É também utilizado um espigão de selim da Scott, que é esteticamente muito apelativo uma vez que não se nota a passagem do quadro para o espigão, parecendo um espigão integrado. O aperto do espigão, esse sim, é integrado.
Encarregue das mudanças está o Shimano Dura-Ace mecânico de 11v que é simplesmente espectacular: desde a travagem, passando pela ergonomia das manetes, à passagem super suave de mudanças (penso que seja por isto que o Fabian Cancellara prefere o grupo mecânico ao Di-2). Com 11v tenho um rácio enorme de mudanças que permite ainda assim uma passagem de andamentos muito sequencial.
As rodas que tenho nesta bike são as Syncros RR 2.0, com cubos DT Swiss, com qualidade mais que suficiente para treinar, apesar de, no capítulo da rigidez se notar a diferença por exemplo para um aro em carbono. No entanto, não se pode esquecer o intuito desta bicicleta, o treino, e verdade seja dita, é uma máquina ao nível das de topo. O selim é um Selle Italia SLS, similar ao SLR que tenho na 900 RC de competição de BTT, mas com os carris em aço. Os restantes componentes (avanço e guiador) são da Syncros, modelo FL e RR 2.0. Cumprem a sua função que são esteticamente apelativos.
É uma bike rígida, compacta e muito fiável, com um grupo Shimano Dura-Ace. Uma máquina que para treinar é mais do que suficiente, não devendo em muito às bikes de competição." por: David Rosa