Terça-feira, 6 de Novembro de 2012

Diário do Brasil Ride, por Pedro Duque (IV)

"Etapa 7 - 48 km, 700 D+

 

Esta foi uma etapa para "encher chouriços". Com cerca de 30 kms rolantes, dos quais 15 em asfalto, o restante era exactamente igual ao Prólogo. Neste dia realizou-se a Maratona Brasil Ride, com atletas que se inscreviam para realizar a etapa, saindo na parte final do pelotão.

Na noite anterior, em conversa com o Marco Chagas e o Nuno Margaça, os elementos dos Bike Angels que faltava referir, ofereci-me para ajudá-los pois queixavam-se que o cansaço acumulado era já grande (realizaram um excelente Brasil Ride e ainda estavam a competir). Combinei com o Nelson que os iria ajudar e que esperava por ele no único abastecimento ao km 32.

Como combinado conseguimos sair no grupo da frente o que nos permitiu rolar os primeiros 15 kms acima dos 40 km/h. Aqui viram-se algumas quedas bem aparatosas... Andar num grupo grande "tem o que se lhe diga"!

A minha chegada ao abastecimento foi passada 1h04. Tinha sido super-rápido e sentia-me bem. Esperei pelo Nelson para fazermos o resto do percurso juntos.

 

 

Regresso

 

Na última noite houve festa no acampamento. Maior parte dos atletas, incluindo eu próprio, preferiu ir descansar. A alvorada no dia seguinte era às 4h30 e esperava-nos o regresso a Salvador, novamente de "ónibus"...

As últimas horas no Brasil foram passadas na praia e piscina do hotel.

 

Esta prova deu-me mais uma lição. Mais uma das que já aprendi do desporto, e do ciclismo em particular. Não somos máquinas e quando menos esperamos algo falha e  não conseguimos atingir os objectivos a que nos propusemos. Nestas alturas temos que encontrar forças e motivação para prosseguir e definir novos objectivos. Eu encontrei na minha família, nos meus amigos e na vontade imensa de praticar este desporto!

 

Por fim gostaria de fazer uma referência ao material que utilizei na prova e que foi colocado à prova a todo o momento, acreditem.

Se inicialmente tinha receio em levar uma bicicleta rígida para esta prova, a Specialized Stumpjumper HT S-Works 29" rapidamente me deu a entender que podia ficar descansado. Super-ágil a subir, rápida a descer e com um conforto digno de um topo de gama.

Ao longo do ano tenho utilizado o capacete Specialized S-Works Prevail, felizmente sem nunca o ter testado ao limite. Quanto à leveza e conforto, é claramente o melhor que já utilizei e indicado para quem pedala durante muitas horas. Simples de ajustar e fácil de lavar.

As luvas Specialized BG Gel Long são as minhas preferidas e com as quais me sinto mais confortável.

Há quase dois anos que utilizo os Oakley Racing Jacket. Uma palavra os define: espectaculares.

Os meus pedais de eleição são os Shimano XTR. Bem sei que há mais leves no mercado, mas estes sei que não me falham! Ultra-resistentes e confortáveis. Quanto aos sapatos, para mim só existe um modelo. Os Shimano M315 até prova em contrário, são os melhores sapatos de BTT do mundo. Se por um lado são uma "luva" para os nossos pés, por outro têm a resistência de um "Caterpillar".

O Garmin Edge 800 é o meu fiel companheiro que sabe como ninguém os sítios por onde ando. Intuitivo, fiável, leve e fácil de lavar.

 

 

Em termos de provas por etapas o ano 2012 acaba aqui. Foi um ano rico em experiências, em que partilhei horas com amigos a fazer desporto.

 

Em 2013 a primeira grande prova já está confirmada: Transportugal Garmin!!"

 

- Texto escrito por Pedro Duque


Publicado por Eupedalo às 09:52
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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2012

Diário do Brasil Ride, por Pedro Duque (III)

"Etapa 3 - 35 kms, 763 m D+

 

Etapa de XC, com um circuito de 7 kms. Nesta etapa as duplas não tinham que andar juntas, sendo que o vencedor seria quem terminasse primeiro 5 voltas ao percurso, terminando aí a etapa para todos os atletas. Os atletas que não cumprissem 5 voltas, teriam que terminar pelo menos 1 e as restantes ficariam com o mesmo tempo da pior volta realizada pelo atleta.

Visto que já estava desclassificado, optei por não participar nesta etapa. Aproveitei para recuperar fisicamente e assentar ideias (ainda não estava refeito da frustração do dia anterior). Fiz ainda uma massagem que me deixou dorido mas que verifiquei, foi fundamental para a minha recuperação.

 

 

Etapa 4 - 81,5 kms, 2.343 m D+

 

No dia anterior decidi que, por cautela, deveria realizar esta etapa como sendo uma etapa de recuperação. Estava com medo de ter novamente caibras, apesar de já não ter indícios nesse sentido.

Optei por fazer uma saída mais lenta e fui na companhia dos Bike Angels Sérgio Rosado e Paulo Quintans. Rapidamente percebi que o estranho ataque das "piranhas" tinha passado e que me sentia bem, com bastante força até!

Este foi um dia marcado pelos distúrbios intestinais de grande parte do pelotão! Frequentemente encontrávamos "bicicletas abandonadas", encostadas às arvores, enquanto os atletas se encontravam no meio da vegetação. Alguns tiveram que parar mais de cinco vezes neste dia!!

Outra característica que marcou a etapa, foi o calor constante... No próprio dia a Organização informou que tinha sido registados 50 graus como temperatura máxima. Na altura achei exagerado, mas já em Lisboa, quando descarreguei a informação do GPS pude constatar que realmente a temperatura máxima tinha sido essa!!! 50 graus! "Nossa, assim você me mata"!!

 

 

 

Etapa 5 - 128 kms, 1.750 m D+

 

Nesta etapa faríamos o regresso ao acampamento de Mucugê.

Esta foi uma etapa à minha medida! Sentia-me muito bem fisicamente e com vontade de mostrar a mim próprio que estava "de volta".

No dia anterior, e apesar de desclassificados, os nossos tempos foram contabilizados. Como o Nélson optou por seguir a um ritmo diferente do meu, chegámos com uma diferença superior a 2 minutos, o que nos custou uma penalização de 1h... Neste dia, decidimos que quem chegasse primeiro a cada Ponto de Controle deveria esperar pelo outro, caso não estivéssemos juntos. E assim foi.

Nos últimos 40/50 kms o Nélson começou a quebrar e a preocupação era que os últimos 30 kms, apesar de relativamente planos, tinha um vento "contra" muito forte, e que se o combatêssemos os dois sozinhos poderia tornar-se penoso. Juntámos assim um grupo para dividir as "despesas" de puxar contra o vento.

O facto de estar desclassificado acabou por me permitir fazer coisas que normalmente não fazemos numa prova (pelo menos eu não faço). Tirei fotografias, conheci muita gente enquanto pedalava e, neste dia, tomei um banho espectacular numa cachoeira!!

 

 

Etapa 6 - 119 km, 1.500 m D+

 

Etapa semelhante à do dia anterior. Muito rolante, com parte do acumulado de subida concentrado entre os kms 70 e 90. A partir daí seria exactamente igual à Etapa 5.

Com 15 kms de asfalto logo de inicio, saímos muito rápido, apesar do forte vento que se fazia sentir. Nestas situações é importante encontrar um grupo com um andamento semelhante ao nosso para nos sentirmos confortáveis e não nos custar tanto a deslocação contra o vento.

Até ao segundo abastecimento tudo estava a correr como previsto. No entanto aqui dei-me conta que tinha um raio partido na roda traseira... Sem stress, disse ao Nelson que ficava por ali e que ia num carro de apoio. Afinal o que restava da etapa era igual ao dia anterior. Percebi pela cara do Nelson que o preocupava ter que terminar com o vento "contra" sozinho sem a minha ajuda, por isso fiquei a reparar a roda no apoio técnico enquanto ele seguiu com amigos que fizemos entretanto. Ficou comigo um grupo  de amigos portugueses, com quem segui a partir daqui.

Ao km 90, no último abastecimento, lá estava o Nelson à minha espera. Disse-lhe para ir seguindo que já o apanhava, pois não tinha coragem de deixar o grupo com quem tinha chegado.

Os últimos 30 kms, contra o vento, foram um teste à minha capacidade física. Puxei pelo grupo, mais os atletas que íamos passando e que se juntavam. Éramos mais de 20 atletas a "rolar" entre os 30 e os 35 km/h. Lá atrás gritava-se "mais devagar", mas eu queria chegar o quanto antes e se eu estava a sofrer, tínhamos que sofrer todos!!

A 1 km da meta estava o Nelson à minha espera para chegarmos juntos e não levarmos mais uma hora de penalização!"

Grande dia este!!!

 

- Texto escrito por Pedro Duque


Publicado por Eupedalo às 21:25
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Quinta-feira, 18 de Outubro de 2012

Diário do Brasil Ride, por Pedro Duque (II)

"Prólogo - 19 kms, 290 m D+

 

Circuito muito técnico, com bastante pedra, areia e raízes. Seria um pouco de tudo aquilo que iríamos encontrar ao longo da semana.

Senti algum cansaço que associei às viagens dos dias anteriores, por isso não me preocupei. No entanto, o pior veio a seguir: durante toda a tarde e noite senti caibras insuportáveis, algo que raramente me acontece e menos após apenas 19 kms!! Algo não estava bem...

 

 

 

Etapa 2 - 144 kms, 3.072 m D+

 

A etapa mais longa e dura do Brasil Ride. Com início muito forte em alcatrão, entrámos em estradão com muita areia. Para evitar embater no Nelson que perdeu o controlo da bicicleta, dei uma queda que me afectou o desviador traseiro, fazendo com que parte das mudanças não entrassem. Com o decorrer da etapa começaram a surgir novamente as caibras. Dores horríveis que não me permitiam pedalar, andar ou estar parado. Já não sabia o que fazer! A juntar tinha o problema mecânico que fazia a corrente “saltar” constantemente... Foi um pesadelo que se tornou pior quando entrámos no “Vietnam”: um single track em subida, de aproximadamente 15 kms, em grande parte não ciclável. Esta parte do percurso acabou com o resto da minha energia e ainda faltavam 30 kms!!

Ao km 122 encontrava-se o último Check-Point da etapa. Uma vez que ficámos sem bateria nos GPS perdemos a noção das horas, fomos surpreendidos por nos terem dito que não podíamos continuar em prova nesse dia. O horário de corte previsto tinha passado há 40 minutos... Nesse momento senti a maior tristeza de sempre a nível desportivo: ser desclassificado de uma prova por etapas e sentir-me impotente por não conseguir fazer mais!! Foi frustrante por mim, pelo meu colega de equipa, pelos amigos que treinaram comigo ao longo do ano e pela família que abdicou da nossa presença durante tantos dias. Admito que chorei e que esta etapa será responsável por ter que regressar ao Brasil para realizar de novo esta prova.

Rio de Contas passou a ser o quartel-general do Brasil Ride nos dias seguintes."

 

- Texto escrito por Pedro Duque


Publicado por Eupedalo às 16:49
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Sexta-feira, 12 de Outubro de 2012

Diário do Brasil Ride, por Pedro Duque (I)

Aqui fica o relato na primeira pessoa do Pedro Duque, que se auto-define como um "atleta amador viciado em bicicleta" sobre as suas peripécias no Brasil Ride!



"Começo este texto com um agradecimento à Movefree, em especial aos seus colaboradores da loja no Forum Sintra. Têm sido uma ajuda fundamental e de um profissionalismo espectacular!! Obrigado Pedro, Vanderlei, Rui, Francisco, João.

 

Este é um testemunho escrito por um atleta amador, viciado em bicicleta e que pretende divulgar as experiências que este desporto lhe tem proporcionado e que espera, sirvam de inspiração a outros em situação semelhante!

 

 

Projecto Bike Angels

 

A equipa Bike Angels é composta por um grupo de amigos, onde me incluo, que tem como hobby pedalar, seja em estrada ou BTT. Com elementos de diferentes quadrantes (músicos, ex-ciclistas profissionais, gestores de empresa). Depois de em 2011 termos participado na prova Titan Desert, no deserto do Sahara, com vitórias em duas categorias,  este ano tivemos como desafio o Brasil Ride, na Chapada Diamantina (Bahia). Esta dura prova, em que tive como dupla o Nelson Rosado, divide-se em Prólogo e 6 Etapas, num total de aproximadamente 600 kms e 10.000 m de desnível acumulado positivo (D+).

 

Além da componente desportiva, o projecto Bike Angels tem a componente solidária como missão. Tem como principal objectivo angariar fundos para o Movimento Bike4Help (www.bike4help.com), constituído pelas Instituições de Solidariedade Social MSV/Casa das Cores, Casa dos Rapazes, Terra dos Sonhos e Instituto da Imaculada Conceição.

 

 

 

2012 - Ano non stop

 

Pessoalmente este foi um ano desgastante, com cerca de 9.000 kms e 65.000 m D+ percorridos até Setembro. Juntamente com esta distância percorrida há-que juntar as horas longe da família e amigos, o deitar cedo pois no dia seguinte há treino, “fechar a boca” para não engordar... Não é fácil e muitas vezes nos questionamos “porquê?”. A resposta está na paixão por este desporto e no facto de termos pessoas que nos apoiam e acreditam em nós!!

 

Posso dividir 2012 em Pré-Cape Epic e Pós-Cape Epic. Até à prova na África do Sul, tive a companhia do Ricardo Figueira, com treinos praticamente diários e a participação na Andalucía Bike Race. Foi duro mas produtivo! Após o Epic, os treinos tornaram-se mais intermitentes, o compromisso não foi tão grande (até porque entretanto chegaram as férias de verão em família) e o resultado não podia ser outro: 5 kgs a mais em relação a Janeiro, a um mês do Brasil Ride. Seria impossível recuperar o peso até à prova!!

 

Nas semanas que antecederam a partida para o Brasil tentei fazer uma preparação “express”, com treinos como Sintra-Figueira da Foz em BTT (200 kms, sozinho), Seixal-Terena, Alandroal em estrada com o Nelson (ida e volta, com 360 kms em dois dias) e dois dias na Serra da Estrela (160 kms em BTT), também com o Nelson."

 

 

Brasil Ride - Dias prévios

 

Como sempre, os preparativos foram deixados para as últimas horas em Portugal. A primeira preocupação foi realizar uma lista “to do” para que não esquecesse nada de importante. Uma prova destas implica uma grande logística da nossa parte, que inclui preparar a bicicleta e embalá-la, preparar os equipamentos a utilizar (jersey, calções, meias, luvas, capacete e sapatos), GPS e cinta, protector solar, creme anti-fricção, creme para assaduras, material de substituição para a bicicleta, suplementação, barras, géis, artigos de higiene pessoal, bidões, Camelbak, óculos de sol, medicamentos, ... Um sem fim de coisas e todas elas importantes!!

 

Curiosa foi a dificuldade de escolha da bicicleta: até ao dia anterior à partida não sabia se levaria suspensão total ou rígida... Pedi várias opiniões e não cheguei a nenhuma conclusão! Optei por levar a Stumpjumper HT S-Works 29” por ter menos peso e querer proteger o joelho direito que começou dar fortes sinais de cansaço na Serra da Estrela. 

 

A partida para Salvador foi no dia 21/9. As viagens trans-atlânticas são um castigo para mim! Não consigo ficar fechado tantas horas, para além do facto de que quando chegamos ao destino estamos “feitos num oito”. Desta vez foi igual... Depois de 8 horas de voo, chegámos a Salvador a meio da tarde. Deixámos as bicicletas no aeroporto pois no dia seguinte iríamos partir dali para Mucugê, na Chapada Diamantina. Em seguida fomos para o hotel tomar banho e jantar um rodízio de carne, com todos os participantes portugueses na prova. A seguir cama, pois o dia já ia longo

 

Às 6h do dia 22 já estávamos de volta ao aeroporto. Esperavam-nos 9 horas de viagem num autocarro, com paragem para almoço. As bicicletas viajaram num camião, com escolta policial.

 

A chegada a Mucugê foi já de noite. Havia que montar as bicicletas, fazer o check-in na prova, escolher as tendas para dormir, e jantar (organização não disponibilizou nenhuma refeição aos atletas, mesmo tendo estes realizado a viagem de 9h...)! O dia anterior ao início do Brasil Ride foi tudo menos tranquilo."

 

 

 

- aguardem pelos próximos episódios!!!


Publicado por Eupedalo às 15:17
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Segunda-feira, 30 de Julho de 2012

Em preparação para o Brasil Ride: De Tróia a Tavira, com Coca-cola, cerveja e fast recovery

O Pedro Duque, cujas aventuras já havíamos acompanhado no Cape Epic deste ano, onde esteve com o Ricardo Figueira com o apoio da MoveFree, está agora em preparação para o Brasil Ride com os Bike Angels. Aqui fica um relato de um dos seus treinos, realizado entre Tróia e Tavira, numa altura de gestão do esforço físico e mental de participar em diversas provas desgastantes ao longo do ano. Desta vez, levou a sua Specialized Stumpjumper S-works 29":



 

 

"Como preparação para a minha terceira prova por etapas deste ano (a presença na DBR deverá ficar cancelada), a Brasil Ride, tenho tentado gerir o cansaço físico e mental gerado por tantas horas passadas em cima da bicicleta no último ano. Quem realizou provas desgastantes como a Andalucía Bike Race e o Cape Epic sabe que o nosso corpo não fica “indiferente”. Ainda menos para alguém que não tem assim tantos anos na modalidade e que não tem todo o tempo disponível para treinar!

 

A dois meses da prova no Brasil, a preparação vai-se intensificando. Tenho treinado praticamente todos os dias, sendo que os fins de semana são aproveitados para fazer um maior número de horas, de preferência com amigos. Foi nesta perspectiva que desafiei o Ricardo Figueira, vulgo “Hulk”, para me acompanhar num treino longo. 

 

 

Tudo foi combinado ao final de um dia de trabalho, já noite, e, depois de várias hipóteses, decidimo-nos por fazer o percurso Tróia-Tavira. Seriam cerca de 250 kms em BTT! Tomámos a decisão de fazer todo o percurso num só dia, como tal, o ritmo não poderia ser de passeio.

 

Como principais preocupações tínhamos as altas temperaturas desta época do ano, o forte vento que se tem feito sentir no último mês e o desconhecimento quase total do percurso, sendo que íamos passar na área da Serra de Monchique, o que poderia complicar a nossa tarefa.

 

O dia começou cedo, claro. Às 4h já estava a tomar o pequeno-almoço!! Tínhamos como objectivo atravessar de Setúbal para Tróia no barco das 6h45 para começarmos a pedalar sensivelmente 30 minutos depois, e assim fizemos. Na bagagem levei uma muda de roupa, para o caso de termos que pernoitar em algum lado, 8 barras e 8 gel da GoldNutrition, uma câmera de ar, duas botijas de CO2, ferramentas e um “drop-out”. Levei dois bidões, um com água e outro com Goldrink Premium (o privilégio de não estarmos em competição é que podemos para em qualquer lado para abastecer, pelo que levei doses extra de Goldrink dentro do Camelback, bem como Fast Recovery). Para facilitar a tarefa, guiei-me através do Garmin Edge 800, companheiro de todas as horas. Para que ficasse registada a aventura levei também máquina fotográfica e a indispensável GoPro!

 

Uma vez que não esperava uma grande dureza no trajecto, optei por levar a S-Works Stumpjumper 29”. Depois de tantos e tantos quilómetros na Epic, tenho utilizado massivamente a Stumpjumper. São bicicletas diferentes, complementares. A Epic dá-nos um conforto que mais nenhuma bicicleta nos pode proporcionar. A Stumpjumper dá-nos emoção, diversão!! É um autentico “avião” e quem experimenta fica viciado!

 

 

 

As primeiras horas do percurso foram praticamente rolantes. Nas primeiras 3 horas íamos com média superior a 30 km/h, pois tivemos sorte de ter o vento pelas costas, o que é uma super-ajuda! Por volta do quilómetro 100 fizemos a primeira paragem, na localidade de Bicos. O calor começou a apertar e o ritmo era alto, por isso decidimos beber uma Coca-Cola cada um e comer uma “sandocha” de presunto em pão alentejano! Eu aproveitei o balanço e ainda comi um pastel de Nata... 

 

Após a curta paragem, regressámos à nossa “luta”. Para quem não sabe, em percursos longos, é fundamental a ajuda do nosso colega/companheiro de viagem. São muitas horas juntos, e mesmo que a conversa seja pouca, existem mecanismos que têm que funcionar perfeitamente para o bem de ambos os elementos. É o caso de “puxarmos à vez”, ou seja, em vez de irmos lado-a-lado, um dos elementos vai à frente durante uns minutos, fazendo com que o outro vá atrás, protegendo-se da deslocação do ar. Este procedimento torna-se ainda mais importante quando o vento está “de frente”, como foi o caso a partir do quilómetro 150. O facto de não sabermos o que nos espera no percurso é sempre preocupante, mais ainda quando as condições atmosféricas não são as melhores. Por esta altura, a temperatura estava próxima dos 40ºC e as subidas iam-se intensificando. Só pensava no que sofri na África do Sul com as temperaturas insuportáveis...

 

Durante as provas em que participamos, sejam com percursos marcados ou por orientação, não temos que nos preocupar com o trajecto. Alguém o definiu por nós! No caso de uma viagem não planeada, ainda por cima fora de estrada na sua grande parte, a preocupação de nos estarmos a meter numa grande “alhada” é uma constante! Por isso mesmo, de vez em quando eramos forçados a parar para definir qual o caminho a seguir. Felizmente, neste aspecto, tivemos bastante sorte.

 

À medida que nos aproximávamos do quilómetro 200 a ansidade de chegar ia-se apoderando de nós, assim como o cansaço físico. Mas a motivação era grande e o factor psicológico nestes casos é fundamental. Assim conseguimos superar as valentes subidas que encontrámos. Poucas, mas muito duras.

 

Em Santa Ana da Serra fizemos a segunda paragem para abastecimento. Mais umas sandochas e muita água. O calor realmente faz-me muito dano. O Hulk “passa ao lado”, e para ele, estarem 40º ou 15º é exactamente o mesmo!

 

Seguindo viagem, tínhamos duas possibilidades: seguir pelo IC1 até Messines (percurso mais rápido por ser em alcatrão e com uma berma larga que nos permitia pedalar com risco reduzido) ou seguir pela serra, através de um caminho mais longo e em condições que desconhecíamos. Claro que escolhemos a primeira opção! Até porque a última coisa que queríamos era andar perdidos no meio da serra noite dentro.

 

Os 30 kms no IC1 foram uma benção. Muito rolantes, o que nos permitiu descansar e simultaneamente aumentar a média da viagem. 

 

Passando Messines, teríamos pela frente as localidades de Alte, Loulé, São Brás de Alportel e finalmente Tavira. Percurso totalmente em alcatrão mas com um relativo acumulado de subida que impunha respeito fundamentalmente pelo cansaço que já tínhamos.

 

A 6 kms de Loulé o Edge 800 indicava que devíamos seguir em frente, mas uma placa sinalizava que deveríamos seguir pela esquerda. Optámos por seguir a indicação da placa, muito por influência do Ricardo. Felizmente para ele não sei como seria o caminho se tivéssemos seguido em frente... As subidas que encontrámos à entrada de Loulé foram um “parte-pernas” total e só me apetecia partir a Stumpjumper em dois!!! Nesse momento tinha uma certeza: era obrigatório parar em Loulé para beber cerveja. Vinha com o desejo de beber uma “imperial” há alguns quilómetros, e aquelas subidas intensificaram a vontade!

 

Após duas cervejas e mais uma “sandocha”, lá seguimos para os últimos 35 kms até Tavira. Este troço final foi bastante rápido. Apesar de ter algumas subidas, a vontade de chegar era mesmo muita. Quando estamos muitas horas em cima da bicicleta, chega  um momento em que já estamos fartos e quase que prometemos que tão depressa não pegamos na bicicleta. Promessa que sabemos não ir cumprir...

A chegada a Tavira, por volta das 17h30, foi para nós como mais uma etapa terminada numa qualquer prova internacional. O facto de atingirmos um objectivo a que nos propomos é sempre bom, e mais ainda quando esse objectivo é duro de alcançar. Foi assim que nos sentimos.

 

Para esta viagem o consumo total foi composto por: 5,5 litros de água/Goldrink, 3 barras , 3 gel, 2 sandes de presunto, 1 sandes de atum, 1 Coca-Cola e 1 cerveja. A recuperação foi feita com o Fast Recovery e duas “minis” pretas!

 

Nos próximos dois meses os treinos serão praticamente diários. Irá consistir em fazer séries de força, algum reforço muscular, aumento de intensidade, mas fundamentalmente, muitas horas."

 

 

- Escrito por Pedro Duque


Publicado por Eupedalo às 17:24
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