Segunda-feira, 30 de Julho de 2012

Em preparação para o Brasil Ride: De Tróia a Tavira, com Coca-cola, cerveja e fast recovery

O Pedro Duque, cujas aventuras já havíamos acompanhado no Cape Epic deste ano, onde esteve com o Ricardo Figueira com o apoio da MoveFree, está agora em preparação para o Brasil Ride com os Bike Angels. Aqui fica um relato de um dos seus treinos, realizado entre Tróia e Tavira, numa altura de gestão do esforço físico e mental de participar em diversas provas desgastantes ao longo do ano. Desta vez, levou a sua Specialized Stumpjumper S-works 29":



 

 

"Como preparação para a minha terceira prova por etapas deste ano (a presença na DBR deverá ficar cancelada), a Brasil Ride, tenho tentado gerir o cansaço físico e mental gerado por tantas horas passadas em cima da bicicleta no último ano. Quem realizou provas desgastantes como a Andalucía Bike Race e o Cape Epic sabe que o nosso corpo não fica “indiferente”. Ainda menos para alguém que não tem assim tantos anos na modalidade e que não tem todo o tempo disponível para treinar!

 

A dois meses da prova no Brasil, a preparação vai-se intensificando. Tenho treinado praticamente todos os dias, sendo que os fins de semana são aproveitados para fazer um maior número de horas, de preferência com amigos. Foi nesta perspectiva que desafiei o Ricardo Figueira, vulgo “Hulk”, para me acompanhar num treino longo. 

 

 

Tudo foi combinado ao final de um dia de trabalho, já noite, e, depois de várias hipóteses, decidimo-nos por fazer o percurso Tróia-Tavira. Seriam cerca de 250 kms em BTT! Tomámos a decisão de fazer todo o percurso num só dia, como tal, o ritmo não poderia ser de passeio.

 

Como principais preocupações tínhamos as altas temperaturas desta época do ano, o forte vento que se tem feito sentir no último mês e o desconhecimento quase total do percurso, sendo que íamos passar na área da Serra de Monchique, o que poderia complicar a nossa tarefa.

 

O dia começou cedo, claro. Às 4h já estava a tomar o pequeno-almoço!! Tínhamos como objectivo atravessar de Setúbal para Tróia no barco das 6h45 para começarmos a pedalar sensivelmente 30 minutos depois, e assim fizemos. Na bagagem levei uma muda de roupa, para o caso de termos que pernoitar em algum lado, 8 barras e 8 gel da GoldNutrition, uma câmera de ar, duas botijas de CO2, ferramentas e um “drop-out”. Levei dois bidões, um com água e outro com Goldrink Premium (o privilégio de não estarmos em competição é que podemos para em qualquer lado para abastecer, pelo que levei doses extra de Goldrink dentro do Camelback, bem como Fast Recovery). Para facilitar a tarefa, guiei-me através do Garmin Edge 800, companheiro de todas as horas. Para que ficasse registada a aventura levei também máquina fotográfica e a indispensável GoPro!

 

Uma vez que não esperava uma grande dureza no trajecto, optei por levar a S-Works Stumpjumper 29”. Depois de tantos e tantos quilómetros na Epic, tenho utilizado massivamente a Stumpjumper. São bicicletas diferentes, complementares. A Epic dá-nos um conforto que mais nenhuma bicicleta nos pode proporcionar. A Stumpjumper dá-nos emoção, diversão!! É um autentico “avião” e quem experimenta fica viciado!

 

 

 

As primeiras horas do percurso foram praticamente rolantes. Nas primeiras 3 horas íamos com média superior a 30 km/h, pois tivemos sorte de ter o vento pelas costas, o que é uma super-ajuda! Por volta do quilómetro 100 fizemos a primeira paragem, na localidade de Bicos. O calor começou a apertar e o ritmo era alto, por isso decidimos beber uma Coca-Cola cada um e comer uma “sandocha” de presunto em pão alentejano! Eu aproveitei o balanço e ainda comi um pastel de Nata... 

 

Após a curta paragem, regressámos à nossa “luta”. Para quem não sabe, em percursos longos, é fundamental a ajuda do nosso colega/companheiro de viagem. São muitas horas juntos, e mesmo que a conversa seja pouca, existem mecanismos que têm que funcionar perfeitamente para o bem de ambos os elementos. É o caso de “puxarmos à vez”, ou seja, em vez de irmos lado-a-lado, um dos elementos vai à frente durante uns minutos, fazendo com que o outro vá atrás, protegendo-se da deslocação do ar. Este procedimento torna-se ainda mais importante quando o vento está “de frente”, como foi o caso a partir do quilómetro 150. O facto de não sabermos o que nos espera no percurso é sempre preocupante, mais ainda quando as condições atmosféricas não são as melhores. Por esta altura, a temperatura estava próxima dos 40ºC e as subidas iam-se intensificando. Só pensava no que sofri na África do Sul com as temperaturas insuportáveis...

 

Durante as provas em que participamos, sejam com percursos marcados ou por orientação, não temos que nos preocupar com o trajecto. Alguém o definiu por nós! No caso de uma viagem não planeada, ainda por cima fora de estrada na sua grande parte, a preocupação de nos estarmos a meter numa grande “alhada” é uma constante! Por isso mesmo, de vez em quando eramos forçados a parar para definir qual o caminho a seguir. Felizmente, neste aspecto, tivemos bastante sorte.

 

À medida que nos aproximávamos do quilómetro 200 a ansidade de chegar ia-se apoderando de nós, assim como o cansaço físico. Mas a motivação era grande e o factor psicológico nestes casos é fundamental. Assim conseguimos superar as valentes subidas que encontrámos. Poucas, mas muito duras.

 

Em Santa Ana da Serra fizemos a segunda paragem para abastecimento. Mais umas sandochas e muita água. O calor realmente faz-me muito dano. O Hulk “passa ao lado”, e para ele, estarem 40º ou 15º é exactamente o mesmo!

 

Seguindo viagem, tínhamos duas possibilidades: seguir pelo IC1 até Messines (percurso mais rápido por ser em alcatrão e com uma berma larga que nos permitia pedalar com risco reduzido) ou seguir pela serra, através de um caminho mais longo e em condições que desconhecíamos. Claro que escolhemos a primeira opção! Até porque a última coisa que queríamos era andar perdidos no meio da serra noite dentro.

 

Os 30 kms no IC1 foram uma benção. Muito rolantes, o que nos permitiu descansar e simultaneamente aumentar a média da viagem. 

 

Passando Messines, teríamos pela frente as localidades de Alte, Loulé, São Brás de Alportel e finalmente Tavira. Percurso totalmente em alcatrão mas com um relativo acumulado de subida que impunha respeito fundamentalmente pelo cansaço que já tínhamos.

 

A 6 kms de Loulé o Edge 800 indicava que devíamos seguir em frente, mas uma placa sinalizava que deveríamos seguir pela esquerda. Optámos por seguir a indicação da placa, muito por influência do Ricardo. Felizmente para ele não sei como seria o caminho se tivéssemos seguido em frente... As subidas que encontrámos à entrada de Loulé foram um “parte-pernas” total e só me apetecia partir a Stumpjumper em dois!!! Nesse momento tinha uma certeza: era obrigatório parar em Loulé para beber cerveja. Vinha com o desejo de beber uma “imperial” há alguns quilómetros, e aquelas subidas intensificaram a vontade!

 

Após duas cervejas e mais uma “sandocha”, lá seguimos para os últimos 35 kms até Tavira. Este troço final foi bastante rápido. Apesar de ter algumas subidas, a vontade de chegar era mesmo muita. Quando estamos muitas horas em cima da bicicleta, chega  um momento em que já estamos fartos e quase que prometemos que tão depressa não pegamos na bicicleta. Promessa que sabemos não ir cumprir...

A chegada a Tavira, por volta das 17h30, foi para nós como mais uma etapa terminada numa qualquer prova internacional. O facto de atingirmos um objectivo a que nos propomos é sempre bom, e mais ainda quando esse objectivo é duro de alcançar. Foi assim que nos sentimos.

 

Para esta viagem o consumo total foi composto por: 5,5 litros de água/Goldrink, 3 barras , 3 gel, 2 sandes de presunto, 1 sandes de atum, 1 Coca-Cola e 1 cerveja. A recuperação foi feita com o Fast Recovery e duas “minis” pretas!

 

Nos próximos dois meses os treinos serão praticamente diários. Irá consistir em fazer séries de força, algum reforço muscular, aumento de intensidade, mas fundamentalmente, muitas horas."

 

 

- Escrito por Pedro Duque


Publicado por Eupedalo às 17:24
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