Segunda-feira, 16 de Julho de 2012

O encontro dos duros - Um relato da etapa do Tour de France de 2012

- Texto traduzido. Poderá ler o texto na íntegra em francês em: 

em http://www.letapedutour.com/ET2/fr/20120714-le-rendez-vous-des-costauds-.html

 

"Foi cheios de coragem que milhares de ciclistas amadores fizeram a ligação Pau a Bagnères-de-Luchon. A distância do percurso, a dificuldade dos cols e sobretudo o frio húmido, testaram os organismos. L’Etape du Tour : um encontro de duros …


Nenhuma trégua para os bravos. À partida de Pau, o céu está coberto. Mas ninguém – previsão meteorológica favorável a ajudar – pode sequer imaginar o que se passará a seguir. É necessário subir as primeiras rampas do Aubisque para perceber que uma humidade tenaz reina sobre as estradas dos cols dos Pirinéus.

 

Os pelotões, ainda agrupados, entram no nevoeiro a 1500 metros de altitude. No topo da primeira dificuldade do dia, os corredores não param e iniciam o duelo com o principal rival do dia: o frio. No espaço de alguns quilómetros, as silhuetas crispam-se sobre as bicicletas. Nos postos avançados os gendarmes tentam convencer alguma vacas a sair do meio da estrada e a voltar aos pastos. A visibilidade máxima é de 50 metros !

Argelès-Gazost no fim da longa descida. Segundo reabastecimento completo da etapa. Thierry é o primeiro a soar o alarme: « Está muto frio lá em cima. Muito frio.. » Alguns segundos mais tarde, Philippe pára resignado: « Já não vou voltar a partir. Abandono. Seria perigoso para mim continuar. » São muitos os que seguem o seu exemplo. Mas a imensa maioria dos corredores contentam-se com uma breve pausa antes de voltar à estrada... « Não me consigo mexer, estou enregelado, mas vai correr tudo bem, assegura Alain. Abandonar ? Não, não, não. Nem que a vaca tussa. »

 

O Tourmalet apresenta-se. Imenso. Quase ameaçador. Antes de atacar as suas primeiras subidas, alguns corredores tomam o tempo necessário de confortar os seus próximos com um curto telefonema. O céu continua baixo. É é necessário subir aos 2 115 metros de altitude. Guisado de lama, água e nevoeiro outra vez. Algumas dezenas de apoiantes tremem no cume. Dentro da sua carrinha, dois gendarmes franzem o sobrolho : « Estão 5 graus. Mas com esta humidade, a sensação de frio é intensa. »

 

Nova descida. Longa. Fatigante. Os corredores traçam trajectórias impecáveis sobre o alcatrão molhado, mas o inevitável acontece, clavículas partidas, ombros deslocados e joelhos esfolados. Mas grande parte consegue terminar. Em Sainte-Marie-de-Campan, são corpos muitas vezes congelados, que param para recuperar no reabastecimento. No espaço de alguns minutos, a tenda de socorro fica cheia. « Eles têm frio, faz notar sobriamente um membro do serviço médico. Nada mais. O frio. » Alguns voluntários passam à acção, emprestando os seus forros polares, cortando sacos de plástico para confeccionar ponchos. Brigitte está desolada: « Eles estão mortos e no entanto cheios de coragem. Gostaria de os poder ajudar mais.» Um pouco mais longe, Jérôme, está sentado sobre um pequeno muro. Treme convulsivamente. A sua família massaja energicamente as suas pernas e braços. Um pequeno miúdo diz-lhe: « Papa, gosto muito de ti. »

 

E chega o Aspin. Rampas suaves no meio dos pinheiros. O nevoeiro dá sinal de abrandar. Bruscamente, as caras relaxam um pouco. Como se o stress da primeira metade da etapa tivesse desaparecido. Agora, é à base de coragem que é necessário avançar. A segunda metade do col é duríssima. E o nevoeiro volta a cobrir os pequenos grupos que se formaram no decorrer dos quilómetros. É preciso continuar. Não se deixar ficar nem por um bocadinho. Alguns encontram forma de sorrir. Difícil não sentir admiração pela sua coragem. Nova descida. O mais duro está feito ? « Não, o mais duro está ainda para vir, suspira Claude. Sobretudo hoje.»

 

Resta uma trintena de quilómetros antes da fita de chegada. E um último col. Peyresourde. Uma espécie de abatimento adivinha-se por vezes no ritmo da pedalada. Subir ainda. Uma última vez embrenhar-se no nevoeiro. E enfrentar a chuva nas primeiras curvas da descida. Basta no entanto deixar-se ir. Mas será que verdadeiramente no podemos deixar ir ao fim de 200km de um tal esforço ? Ao entrar em Bagnères-de-Luchon, os corredores recompoem-se. Há uma espécie de euforia no ar. Os corredores vêm finalmente as bandeiras tricolores que não cessaram de os acompanhar ao longo do esforço. Foi num 14 de Julho. L’Etape du Tour. Uma coisa de duros !"

 

Mas, no fim, tudo vale a pena, para garantir isto:

 

 

 

- Texto traduzido. Poderá ler o texto na íntegra em francês em: 

em http://www.letapedutour.com/ET2/fr/20120714-le-rendez-vous-des-costauds-.html


Publicado por Eupedalo às 14:18
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